Brasil e Estados Unidos trocam experiências no combate à violência contra a mulher

08/26/2013 às 12:55 pm | Publicado em Informações | Deixe um comentário

Evento marcou aniversário de sete anos da Lei Maria da Penha

Wanderson Costa Cruz-372

Para comemorar os sete anos da Lei Maria da Penha, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, por meio da Subsecretaria de Políticas para as Mulheres, em parceria com o Consulado Americano no Rio de Janeiro, promoveu, na manhã desta quinta-feira (22/08), a Roda de Conversa: Brasil e Estados Unidos no Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres.

O evento visou a troca de experiências entre os dois países no que tange a política de enfrentamento a violência contra a mulher e contou com a participação a diretora Executiva do Centro Mary Parrish para Vítimas de Violência Doméstica e Sexual (EUA), Valerie Wynn, e do tenente da divisão de violência doméstica do Departamento de Polícia de Nashville (EUA), Mark Wynn.

Durante o encontro, Valerie explicou como funciona o Centro Mary Parrish, as semelhanças e diferenças na política de combate à violência sexual nos dois países, e dividiu sua própria experiência pessoal quanto à questão. Ela criou o centro após trabalhar três anos como assessora da Divisão de Violência Doméstica do Departamento de Polícia de Nashville e ver de perto as barreiras enfrentadas pelas vítimas para ter acesso aos serviços. Ela própria já foi vítima de violência contra a mulher, praticada por um ex-namorado, e decidiu dar ao centro o nome de sua sogra, também agredida.

“Ao dar o nome de minha sogra ao centro quis mostrar as mulheres que há homens bons como o meu marido e que é possível criar filhos diferentes, que não se tornaram agressores ao crescer. Nossos países são bastante semelhantes, somos multiculturais, e durante muito tempo a violência doméstica foi vista como um crime menor. Em nosso país, a maioria das vítimas também são afrodescendentes. Mas a nossa principal semelhança, neste sentido, é a lei de proteção às mulheres, que ambos temos. A diferença é que temos uma lei nacional de 1994 e a de vocês tem sete anos, mas o Brasil já tem um bom alicerce para o combate e a prevenção da violência contra as mulheres”, disse Valerie.

O Centro Mary Parrish é uma organização não governamental que oferece atendimento às mulheres vítimas de violência, bem como suporte para que elas saiam dessa situação. Eles oferecem apartamentos onde essas mulheres podem ficar com seus filhos até que tenham condições de retomar suas vidas. Cada mulher pode ficar no programa por até 2 anos. É um trabalho semelhante ao oferecido pelas Casa Abrigo da Mulher no Brasil.

O tenente da divisão de violência doméstica do Departamento de Polícia de Nashville (EUA), Mark Wynn, ressaltou que um dos desafios enfrentados é fazer com que as mulheres confiem na polícia e que esta esteja capacitada para atender a esta demanda.

“Durante muitos anos o que vimos é a vítima ser confrontada e não o agressor. Nós temos em nosso país um número de emergência e em geral elas só ligam para lá na quinta agressão e quando perguntamos porque elas não ligaram antes descobrirmos que elas não confiavam na polícia. Certa vez, ao ser agredida pelo meu padrasto, minha mãe ouviu da política que se fossem chamados mais uma vez iriam prendê-la. Eles não conseguiram perceber que minha mãe não falava por medo e não ofereceram a ela o atendimento que deveriam. Ainda criança prometi a ela que seria policial para prender meu padrasto. Não o prendi, mas prendi centenas de agressores de mulheres. Há alguns anos vimos treinando a polícia para identificar os sinais de violência doméstica, conquistar a confiança da vítima e dar opções para que elas possam sair daquela situação”, contou o tenente Mark.

O secretário de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Zaqueu Teixeira, participou da abertura do encontro e destacou que a troca de experiência entre os países é sempre benéfica.

“Esta data é especial porque a Lei Maria da Penha faz sete anos e nos trouxe um grande avanço nesta questão. Temos uma rede bem estruturada, no que diz respeito à proteção das mulheres vítimas de violência, com apoio psicológico, jurídico, com uma mobilização e atenção especial das delegacias de mulheres. Essa rede tem nos permitido avançar na atuação do Estado, ainda com o trabalho de conscientização nesta questão, e permite também que as famílias restabeleçam seus laços. Estou certo de que aprendemos muito com Mark e Valerie hoje, e que eles também irão levar informações preciosas para o seu trabalho nos Estados Unidos”, destacou Zaqueu.

Também participaram da roda de conversa a coordenadora da Casa Abrigo Lar da Mulher, Sueli Ferreira; a coordenadora do CIAM Marcia Lyra, Cristina Fernandes, e superintendente de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, Marcelly Lira.

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